Acordo e já sinto o peso do mundo nas costas. Sinto raiva, logo de início por ter acordado. Olho as horas e me pergunto o que vou fazer no resto do dia, O que quero, se é que quero alguma coisa. Mas tem muitas coisas para fazer: livros, textos e mais textos para ler; casa para arrumar, cozinha para limpar... Uma infinidade de coisas.Nada faço. Não sei nem por onde começar. A casa está uma bagunça só. Meu material da faculdade desorganizado. Preciso de um espaço só meu para estudar, criar minhas peças de bijuterias sem que com isso a casa fique esta bagunça. O estado de minha casa refletecomo estou por dentro. Afinal, o que eu quero mesmo?
Se você for mesmo embora, me deixar , digo fisicamente, porque em espírito você já se foi faz tempo. Estou só faz mais de um ano e sei disso. Aparento não saber nem sei porquê.
Eu quero que você sabe que sou ainda aquela pessoa com sentimentalidades. Aquele remédio, o último e os anteriores também, me impedem de sentir. Por isso deixei de tomar.
Prefiro viver sangrando, chorando, sofrendo, às vezes até rio bastante, né?, do que ficar fria e ao mesmo tempo angustiada sem saber o que está acontecendo comigo.
Sou mulher instintiva, você me conhece. Não deu certo querer ser cabaça. Entenda, decidir com a cabeça comigo não dá certo. Tenho que decidir pela emoção da coisa em si.
Sinto tanto carinho por você, tanto, mas tanto... queria estar aí aí dentro do seu mundinho agora, só um pouquinho, pra ver se te fazia um pouco de companhia e você a mim. Se você dividia essas suas angústias comigo um pouco, pra ver se amenizava seu coração de tanta tristeza. Sinto ela. Dá até pra pegar essa tristeza sua, saiba.
Mas você não se abre, ou melhor não dá espaço e eu não vou invadir seu espaço sem ser convidada.
Mas ao ir embora saiba que sinto muito amor por você. Amor mesmo, sentimentalidade de mulher, amiga, sei lá mais o que sou ou sinto que sou.
Ao ir embora, você estará levando as suas chaves para poder voltar se quiser, sempre estarei esperando, saiba também.
Quero que você encontre o que tanto procura e já te digo que o que você procura está aí dentro, não precisa ir lá fora buscar. Você procura você mesmo, certo? O seu eu que se perdeu e você não sabe onde deixou.
Te digo que está aí dentro, nesta bagunça que está este seu coraçãozinho tão sofrido e espremido.
Você deveria era fazer uma faxina por dentro antes de sair. Aí você sairia legal.
Olha, te peço uma coisa: não bata a porta ao sair.